terça-feira, 5 de outubro de 2021

Sobre novos amores

"Uma hora a gente acaba. "

Essa frase começava o rascunho deste post, em 2012. ... Uma hora a gente acaba ...
Ficou nisso. Petrificado no tempo. Sem acabar.
E agora me deparo com os meus guardados e não sei mais o que será que eu queria, ou se somente eu queria que acabasse. Tem tempo. Acabou.
Acabou aquela melancolia louca que se faz sombra, a incontrolável vigilia de não poder ser feliz. De não se achar no direito. Tudo isso acaba.
É a vida  flui, a principio lenta e preguiçosa, em soluços escondidos, sorrisos tímidos... aí vai chegando a correnteza, sensata, que toma ocupa o peito, traz a gargalhada e o sol.
A vida volta a ser mais forte do que o medo da morte, do que o medo de amar.
Não tem nada a ver com esquecer ou superar. 





terça-feira, 26 de março de 2013

Acidez

- Muito prazer, Érika. Sim, fiquei viúva aos 37. Não, isto não me define, sou outras coisas também que talvez sejam interessantes de se saber...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Gaiatice Mineira

Dou-lhe uma bronca pela birra e completo:

- Olha bem a minha cara brava!

E ele, no ato, com cabecinha de lado e sorriso matreiro:

- Fica bava não! Você é muito bunitinha pá isso...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

...

... A vida não é feita de reticências, como a minha escrita.

Ela escolhe exclamações berrantes, vírgulas intermináveis, aspas explícitas e implícitas, interrogações sem respostas, asteríscos ilegíveis.

E muitos e muitos pontos finais.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Racionalidades

Algumas vezes quis sim, berrar tão alto quanto meus pulmões pudessem aguentar ou quebrar todos os espelhos que refletissem o que eu queria esquecer.

Fazer aquelas cenas que vemos nas novelas de televisão.

Quis correr tão longe até onde não pudesse voltar, ou fazer escolhas malucas só para me revoltar.

Mas eu só quis... Porque, no fundo, sabia quem ia ter que arrumar a confusão...

sábado, 19 de novembro de 2011

Compartilhando

Com as vertigens já esquecidas, combinei um intervalo de silêncio com a vida. Um intervalo na rotina que reprisa minhas ausências e cansaços. Um intervalo na saudade que não muda, no meu tocar que escuta sempre os mesmos arrepios. Um poema ao pé do ouvido. Uma pausa sem dor, com cor; uma grafia tatuada no dorso da alma, pouco corrida, sem pressa de ser lida e encontrada. Combinamos uma coisa bonita, qualquer coisa boa e tamanha.

Com as vertigens já esquecidas, quero hidratar aquilo que me habita, me intensifica e me resguarda. Antes do choro, quero uns versos, uns avessos, uns gestos guardando coisas sensíveis. Sofro de progressos, já não cabe tanta demora dentro do meu verbo. (Por Priscila Rôde).