quarta-feira, 26 de maio de 2010

Para todo fim, um recomeço

Mesmo para os que não desejamos. Mas sou eu que escolho empregar energias em um dos pólos: o fim ou o recomeço.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Maior amor do mundo

Vejo seus passos, a cada dia mais firmes, percorrerem a casa, e com eles uma alegria esparramada por todos os cantos, acompanhada de sonoras risadas de bebê de propaganda de fraldas descartáveis.

É um adorável mundo novo que se mostra a minha frente, a cada nova palavra e expressão de vontade, nas descobertas e nas pequenas frustrações de seu cotidiano de menino.

Este pedaço de mim traz no semblante muito de seu pai, e com ele a passagem por esta fase de dor pungente tem sido mais leve, menos difícil, com um sentido diferente dos que tomei para mim.

É meu mar de felicidade em meio a esta ilha de tristeza.

Por ele evito deixar me tomar pelos medos que me assombram, muitos dos quais acredito que a maioria das mães sentem, mas potencializados com a inevitável preocupação com as experiências que irei passar sozinha, das perguntas advindas das faltas rotineiras que a ausência traz, de como ensiná-lo sobre a morte muito antes de conseguir lhe falar sobre a vida.

Receio o pedido de explicação sobre onde, porque, como e para onde seu pai se foi, e já prematuramente busco forças e as palavras corretas para que o entendimento não seja amargo... mas queria mesmo era protegê-lo de dar estas respostas para outras pessoas e situações corriqueiras que, se hoje já rondam minha vida, certamente estarão presentes na dele.

Vejo-o forte e feliz, independente dos meus medos, incertezas e fraquezas, mostrando-me que possui sua própria trajetória e saberá conviver – provavelmente até melhor que eu – com a vida que se mostra tal qual ela é, completa, linda, alegre e também com suas dores.

Todos os dias pego-o nos braços, mas é ele que me aconchega no seu colo...

terça-feira, 18 de maio de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Anjos sem asas

Gosto da definição de que amigos são anjos sem asas...

E a certeza me veio durante estes seis meses. Esta metade de um ano em que tive sempre a mão os ombros estendidos de vários amigos – e fico feliz de poder chamar a minha família e a dele de amigos também.

Algumas destas pessoas vieram da minha vida, outras tantas da dele para minha.

Uns não me conheciam, outros não o conheceram, mas depois que ele se foi, permanecem em minha vida e na do pequeno de forma espetacular, como um movimento sincronizado de pássaros voando em bando.

Estas pessoas nos envolveram e nos acolheram e, como um casulo, as vejo tentando nos proteger até a transformação para uma nova etapa, de forças restituídas e sonhos arejados.

Não sabia que eram tantos nem que sua força era tamanha. Alguns nem sabia serem meus amigos.

Foram tantas palavras doces, tantos pequenos e grandes gestos... Uma pausa para o café, uma ajuda na tarefa inacabada, um abraço, uma gargalhada, uma piada, telefonemas de como vai seu dia.

Estas amizades, no momento da dor, não tentaram evitá-la, não se encabularam com um olhar que ficou perdido, uma frase pela metade, um humor ácido, lágrimas que insistiram em cair.

Elas somente ficam ali, observando, esperando passar, sem cobranças, vigiando para que o caminho não se perca, mesmo mantendo a fé que isto não vá acontecer.

Um compartilhar de sensações, sem tentar preencher o vazio que ficou. Um sufocar de suas próprias dores, para que as minhas possam se curar.

Naquele sábado, quando cheguei em casa, muitos destes anjos já estavam lá. Outros foram chegando com o correr do dia, e mais outros, no decorrer dos meses.

Alguns voltaram do meu passado, alguns de partes da vida dele que eu não vi.

Uns saíram de longe para um abraço, um colo. Uns sofreram pela conversa saudosa pelo telefone ou email que não permite o contato desejado no frio que a distância traz.

Não me senti só, pois nenhum amigo me faltou.

Sinto que todos estão aqui, com suas enormes asas.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Tempo mano velho

2009 foi um ótimo ano: fomos felizes.
2010 tem sido uma ponte para 2011, uma passagem, muitas conquistas, alegrias, dor e saudades.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Vazios

Posterguei a retirada das coisas dele de casa, por não ter pressa, por não querer mais nenhuma mudança na minha vida já tão revirada.

Simplesmente deixei para depois.

Sabia que o momento certo chegaria.

E foi assim, sem planejar nem fazer preparativos que, quando dei por mim, estava às voltas com suas coisas espelhadas pelo quarto.

Executei esta tarefa dolorosa, vi mais um pouco dele de partida e senti minha dificuldade em deixar que isto aconteça.

Sei que é irracional, mas estes sentimentos são tão vastos que é complicado entender até para quem os sente.

Muitos correm a limpar os armários, acho que para tentar acelerar o processo de cura, de luto. De cura do luto.

Eu precisei de tempo, e quando este chegou, foi mais fácil.

O que não me impediu de sentir os cheiros que trouxeram as lembranças que me invadiram e com elas, saudades.

Vi vazios se formando nas gavetas e os que ainda estão dentro de mim doeram mais fundo, mas senti que já tenho forças para construir novos espaços, novos caminhos, novos projetos de vida que sejam meus, que sejam para meu pequeno enquanto esta for minha tarefa.

Algumas coisas vão continuar onde estão. É minha escolha.

Outras, como a aliança que carrego no dedo, o tempo irá levar, mas só quando o meu tempo chegar.