sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Dia sem dia
Preciso lembrar de fazer as pazes com os sábados... estão fazendo uma falta danada no meu calendário!
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Meu último primeiro dia
Foi-se o Natal e o Ano Novo. Assisti passar aniversários e datas que comemorávamos juntos, sem ter, pela primeira vez em anos, um abraço companheiro a me presentear. (...de fato, sempre me apaixonei pelas coisas boas da rotina.)
Estes “primeiros dias de alguma data” são difíceis, são como os primeiros sete dias de luto, só que espalhados pelo ano que se segue e em um número maior que sete.
É estranho como, de um modo geral, a gente se prende a estes detalhes e aguarda uma primeira data como um horizonte a percorrer, como um dia de compromisso marcado a que devemos comparecer.
Mas não é só a isto que se resume este ato, e, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, não é um aguardar obscuro pelo “primeiro aniversário” ou “primeiro Dias das Mães”. É um voto de esperanças pelos dias que se seguem a estes, certeza que, se o primeiro é o mais cruel, passar por ele é enxergar os dias que vêm depois, de vida e sentido.
Assim foi Dia dos Pais.
E como as outros "primeiros dias", senti meu peito apertar até quase sufocar.
E quando acabou, dei de cara comigo mesma, satisfeita, por não ter mais nenhum primeiro dia já marcado na folhinha a me espreitar.
Estes “primeiros dias de alguma data” são difíceis, são como os primeiros sete dias de luto, só que espalhados pelo ano que se segue e em um número maior que sete.
É estranho como, de um modo geral, a gente se prende a estes detalhes e aguarda uma primeira data como um horizonte a percorrer, como um dia de compromisso marcado a que devemos comparecer.
Mas não é só a isto que se resume este ato, e, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, não é um aguardar obscuro pelo “primeiro aniversário” ou “primeiro Dias das Mães”. É um voto de esperanças pelos dias que se seguem a estes, certeza que, se o primeiro é o mais cruel, passar por ele é enxergar os dias que vêm depois, de vida e sentido.
Assim foi Dia dos Pais.
E como as outros "primeiros dias", senti meu peito apertar até quase sufocar.
E quando acabou, dei de cara comigo mesma, satisfeita, por não ter mais nenhum primeiro dia já marcado na folhinha a me espreitar.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Muitas trajetórias
Um homem parte e deixa
a sua roça
a sua cria
- e outra mão colhe
no vazio da perda.
Elias José. In: Trajetória.
Acredito na colheita mas é preciso paciência e disciplina.
Sou eu que traço minha trajetória, isto é inegável.
Sou eu que decido como agir diante do imutável, isto é necessário.
a sua roça
a sua cria
- e outra mão colhe
no vazio da perda.
Elias José. In: Trajetória.
Acredito na colheita mas é preciso paciência e disciplina.
Sou eu que traço minha trajetória, isto é inegável.
Sou eu que decido como agir diante do imutável, isto é necessário.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Por dentro e por fora
Para quem vê, calmaria e tranquilidade. Aqui na alma, tormento e tristeza. Queria que por vezes que estes mundos se invertessem: o que vai por fora se transportasse para dentro. O que vai por dentro explodisse para fora.
Depois seria só equilíbrio.
Depois seria só equilíbrio.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Outra despedida
O pai dele se foi três meses depois de sua partida. Na minha mente fica a imagem de seu sorriso matreiro a passos largos ao encontro do filho. Não importa a doença que o tomou: foi a tristeza que o apressou.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Conversas infantis
- Dinda, o tio morreu.
...Ele me disse assim, dia desses, com a sabedoria de seus cinco anos, sem rodeios nem histórias de pessoas que viram estrelinhas ou que foram morar no céu.
- Verdade.
...Respondo, meio encabulada, sem entender de onde vem esta coragem em falar com simplicidade algo tão complicado.
- Naquela foto o seu sorriso era feliz. Agora é triste.
...Continua ele com uma voz professoral de quem tem que me explicar algo que ainda não entendi.
- Vou melhorar. Já estou quase lá.
...Respondo mais uma vez com uma ponta de medo de não ser bem assim.
- Tá bom, acredito.
E me olha desconfiado e muda de assunto.
...Ele me disse assim, dia desses, com a sabedoria de seus cinco anos, sem rodeios nem histórias de pessoas que viram estrelinhas ou que foram morar no céu.
- Verdade.
...Respondo, meio encabulada, sem entender de onde vem esta coragem em falar com simplicidade algo tão complicado.
- Naquela foto o seu sorriso era feliz. Agora é triste.
...Continua ele com uma voz professoral de quem tem que me explicar algo que ainda não entendi.
- Vou melhorar. Já estou quase lá.
...Respondo mais uma vez com uma ponta de medo de não ser bem assim.
- Tá bom, acredito.
E me olha desconfiado e muda de assunto.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Um presente escrito
Passou à muito pouco o seu aniversário de dois anos, meu filho. Bem pertinho mesmo. Fiquei às voltas em pensar no presente perfeito e na festinha colorida para ver seus olhinhos brilharem de alegria.
Junto à estas tarefas que desempenhei com carinho, evitei pensar no seu primeiro aninho sem o papai a lhe segurar para apagar a velinha. E foi tamanha a sua felicidade que, realmente, me vi feliz de verdade.
Mas ainda queria lhe dar um presente, meu filho, algumas histórias de seu pai, para que você o conheça mais e assim conheça a você mesmo. Por que somos muito disto, meu filho, somos parte de nossos pais e de suas histórias.
- Seu pai tinha uma memória prodigiosa para números. Sabia CPF´s, RG´s, datas, senhas, e se necessário, guardava até um código de barras inteiro... mas nunca se lembrava onde tinha colocado as chaves do carro ou os óculos de sol.
- Ele me puxava para seu colo com estardalhaço, falando que eu era dele, só para ver você vir correndo e pedir colo também. E a gente ficava ali, empilhados em um abraço demorado.
- Ele foi o primeiro a te segurar, a te trocar, o primeiro a te dar banho, a te embalar. Seguiu você pelo hospital com medo de alguém te perder.
- Ele levantava bem cedinho, caindo de sono, para te pegar ainda dormindo no berço e o trazia para nossa cama, sem se preocupar com as regras modernas da puericultura. Era só gosto bom de família.
- Ele perdeu a mãe cedo, conhecia esta dor. Mas voltou a gostar do dia das mães depois que você nasceu.
- Acho que ele era bem levado quando criança, filho, mas isso não sei ao certo. Cortou o pé de “ora pro nobis” da Vovó Sãozinha por que tinha espinho. Arrancou uma lasquinha da mesa nova porque precisava de um palito.
- Era cruzeirense, e como sou atleticana, brincava que casou primeiro e só perguntou depois.
- Ele queria menino. Queria você. Escolheu seu nome.
- Ele te beijou, filho, bem demorado, antes de sairmos naquele dia.
Junto à estas tarefas que desempenhei com carinho, evitei pensar no seu primeiro aninho sem o papai a lhe segurar para apagar a velinha. E foi tamanha a sua felicidade que, realmente, me vi feliz de verdade.
Mas ainda queria lhe dar um presente, meu filho, algumas histórias de seu pai, para que você o conheça mais e assim conheça a você mesmo. Por que somos muito disto, meu filho, somos parte de nossos pais e de suas histórias.
- Seu pai tinha uma memória prodigiosa para números. Sabia CPF´s, RG´s, datas, senhas, e se necessário, guardava até um código de barras inteiro... mas nunca se lembrava onde tinha colocado as chaves do carro ou os óculos de sol.
- Ele me puxava para seu colo com estardalhaço, falando que eu era dele, só para ver você vir correndo e pedir colo também. E a gente ficava ali, empilhados em um abraço demorado.
- Ele foi o primeiro a te segurar, a te trocar, o primeiro a te dar banho, a te embalar. Seguiu você pelo hospital com medo de alguém te perder.
- Ele levantava bem cedinho, caindo de sono, para te pegar ainda dormindo no berço e o trazia para nossa cama, sem se preocupar com as regras modernas da puericultura. Era só gosto bom de família.
- Ele perdeu a mãe cedo, conhecia esta dor. Mas voltou a gostar do dia das mães depois que você nasceu.
- Acho que ele era bem levado quando criança, filho, mas isso não sei ao certo. Cortou o pé de “ora pro nobis” da Vovó Sãozinha por que tinha espinho. Arrancou uma lasquinha da mesa nova porque precisava de um palito.
- Era cruzeirense, e como sou atleticana, brincava que casou primeiro e só perguntou depois.
- Ele queria menino. Queria você. Escolheu seu nome.
- Ele te beijou, filho, bem demorado, antes de sairmos naquele dia.
Assinar:
Postagens (Atom)
