Vejo-o me olhando de soslaio enquanto me apronto para o trabalho.
Assim que termino de calçar os sapatos, ele se aproxima, pousa a cabeça nos meus joelhos:
- Mamãe, “num” vai... Eu “choiu”...
...Ah, nada como se sentir amada!
terça-feira, 26 de outubro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Noites e Dias
Estranho é não reparar mais nas colchas desfeitas em apenas um lado da cama... Como uma linha invisível, separa o que foi do que é, sem, contudo, impedir que estes se deitem juntos todas as noites.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Ao P.A., com P.S.
Jogou a bola, mas foi sua alma que se arremeteu aos céus. Deve ter entendido naquele instante o que havia acontecido, pois apesar do que aparentava, sua existência só podia ser antiga como as questões que carregava.
Deve ter sorrido com os olhos por que não era de se lamentar e mantido aquele expressão emblemática nos lábios de quem tem sempre uma posição a tomar.
Por dentro deve ter pedido desculpas por fazer chorar aos que o amavam... Ele sempre se importava com os outros.
A gente não se via há muitos anos.
Formados, fomos ganhar a vida conforme manda o protocolo. E a amizade ficou no tempo, esperando um telefonema, um café ou uma vodka acompanhada de conversas mal desenhadas, perguntas inquietas, soluções não definidas, situações inusitadas.
Não conheci sua esposa, ele não conheceu o meu marido... Perdemos parte de muitas histórias, mas não a certeza de se ter aquele amigo de verdade.
Ah, Paulo! Não te contei como conheci um primo seu junto com uma dinamarquesa em plena Praça de Maio, na Argentina.
Se encontrar Élcio por aí, neste lugar que meu coração gosta de sonhar que é onde vocês estão, se apresenta, vocês se darão bem, e ele te conta como foi...
...Ou eu mesma conto, quando for a hora.
P.S: Não faça Tom e Vinícius ficarem até altas horas a declamar poemas... Eles já têm certa idade, meu amigo, e você, é tão jovem!
Deve ter sorrido com os olhos por que não era de se lamentar e mantido aquele expressão emblemática nos lábios de quem tem sempre uma posição a tomar.
Por dentro deve ter pedido desculpas por fazer chorar aos que o amavam... Ele sempre se importava com os outros.
A gente não se via há muitos anos.
Formados, fomos ganhar a vida conforme manda o protocolo. E a amizade ficou no tempo, esperando um telefonema, um café ou uma vodka acompanhada de conversas mal desenhadas, perguntas inquietas, soluções não definidas, situações inusitadas.
Não conheci sua esposa, ele não conheceu o meu marido... Perdemos parte de muitas histórias, mas não a certeza de se ter aquele amigo de verdade.
Ah, Paulo! Não te contei como conheci um primo seu junto com uma dinamarquesa em plena Praça de Maio, na Argentina.
Se encontrar Élcio por aí, neste lugar que meu coração gosta de sonhar que é onde vocês estão, se apresenta, vocês se darão bem, e ele te conta como foi...
...Ou eu mesma conto, quando for a hora.
P.S: Não faça Tom e Vinícius ficarem até altas horas a declamar poemas... Eles já têm certa idade, meu amigo, e você, é tão jovem!
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
A marca
Dentre as muitas coisas que estou aprendendo - recomeçar implica em aprender novos truques - uma delas é a de me ver acompanhada de mim e isto ser bom e não somente solitário.
Muitas coisas mudaram e lidar com estes novos sentimentos que não entendo, requer, entre outras coisas, uma convivência saudável entre minha ex-vida e minha vida atual... As coisas não voltam ao seu devido lugar e é preciso aceitar este fato.
A morte levou, sim, um pedaço de mim... custei a entender isso, não queria me ver transformada por algo que não fosse bom, mas não há como passar por isto e não ser modificada.
Sei que se foram muitos dos meus sonhos, das minhas crenças, esperanças, certezas. Ela levou o resto da inocência de adolescência que tinha e que no fundo, me fazia acreditar que éramos imortais. Levou meu mundo rosa onde as famílias são todas compostas de pais, mães e filhos.
Mas a morte não levou minha capacidade de amar, de sorrir, retribuir e sonhar novamente. Não levou minhas alegrias assim como não levou meus medos.
E é deste emaranhado que recosturo a minha vida.
Sou agora a mãe sozinha com o filho adoentado no hospital, sou aquela que carrega as malas, faz as compras, paga as contas, escolhe a escola, planeja as férias, guarda as fotos.
Se é assim, que seja inteiro e em paz.
Muitas coisas mudaram e lidar com estes novos sentimentos que não entendo, requer, entre outras coisas, uma convivência saudável entre minha ex-vida e minha vida atual... As coisas não voltam ao seu devido lugar e é preciso aceitar este fato.
A morte levou, sim, um pedaço de mim... custei a entender isso, não queria me ver transformada por algo que não fosse bom, mas não há como passar por isto e não ser modificada.
Sei que se foram muitos dos meus sonhos, das minhas crenças, esperanças, certezas. Ela levou o resto da inocência de adolescência que tinha e que no fundo, me fazia acreditar que éramos imortais. Levou meu mundo rosa onde as famílias são todas compostas de pais, mães e filhos.
Mas a morte não levou minha capacidade de amar, de sorrir, retribuir e sonhar novamente. Não levou minhas alegrias assim como não levou meus medos.
E é deste emaranhado que recosturo a minha vida.
Sou agora a mãe sozinha com o filho adoentado no hospital, sou aquela que carrega as malas, faz as compras, paga as contas, escolhe a escola, planeja as férias, guarda as fotos.
Se é assim, que seja inteiro e em paz.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Dia sem dia
Preciso lembrar de fazer as pazes com os sábados... estão fazendo uma falta danada no meu calendário!
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Meu último primeiro dia
Foi-se o Natal e o Ano Novo. Assisti passar aniversários e datas que comemorávamos juntos, sem ter, pela primeira vez em anos, um abraço companheiro a me presentear. (...de fato, sempre me apaixonei pelas coisas boas da rotina.)
Estes “primeiros dias de alguma data” são difíceis, são como os primeiros sete dias de luto, só que espalhados pelo ano que se segue e em um número maior que sete.
É estranho como, de um modo geral, a gente se prende a estes detalhes e aguarda uma primeira data como um horizonte a percorrer, como um dia de compromisso marcado a que devemos comparecer.
Mas não é só a isto que se resume este ato, e, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, não é um aguardar obscuro pelo “primeiro aniversário” ou “primeiro Dias das Mães”. É um voto de esperanças pelos dias que se seguem a estes, certeza que, se o primeiro é o mais cruel, passar por ele é enxergar os dias que vêm depois, de vida e sentido.
Assim foi Dia dos Pais.
E como as outros "primeiros dias", senti meu peito apertar até quase sufocar.
E quando acabou, dei de cara comigo mesma, satisfeita, por não ter mais nenhum primeiro dia já marcado na folhinha a me espreitar.
Estes “primeiros dias de alguma data” são difíceis, são como os primeiros sete dias de luto, só que espalhados pelo ano que se segue e em um número maior que sete.
É estranho como, de um modo geral, a gente se prende a estes detalhes e aguarda uma primeira data como um horizonte a percorrer, como um dia de compromisso marcado a que devemos comparecer.
Mas não é só a isto que se resume este ato, e, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, não é um aguardar obscuro pelo “primeiro aniversário” ou “primeiro Dias das Mães”. É um voto de esperanças pelos dias que se seguem a estes, certeza que, se o primeiro é o mais cruel, passar por ele é enxergar os dias que vêm depois, de vida e sentido.
Assim foi Dia dos Pais.
E como as outros "primeiros dias", senti meu peito apertar até quase sufocar.
E quando acabou, dei de cara comigo mesma, satisfeita, por não ter mais nenhum primeiro dia já marcado na folhinha a me espreitar.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Muitas trajetórias
Um homem parte e deixa
a sua roça
a sua cria
- e outra mão colhe
no vazio da perda.
Elias José. In: Trajetória.
Acredito na colheita mas é preciso paciência e disciplina.
Sou eu que traço minha trajetória, isto é inegável.
Sou eu que decido como agir diante do imutável, isto é necessário.
a sua roça
a sua cria
- e outra mão colhe
no vazio da perda.
Elias José. In: Trajetória.
Acredito na colheita mas é preciso paciência e disciplina.
Sou eu que traço minha trajetória, isto é inegável.
Sou eu que decido como agir diante do imutável, isto é necessário.
Assinar:
Postagens (Atom)
