terça-feira, 5 de outubro de 2021

Pé de Jabuticaba

Pés de jabuticaba... Acho que esta é a lembrança mais antiga que me acompanha, pois sou dessas pessoas que não se lembra de muitas coisas da infância... Mas lembro daqueles pés de jabuticaba, que acho que já não existem mais, na fazenda que não visito mais, de um avô que não conheci.

Naquela fazenda, a menina magrela e frágil de cidade, que não levava o menor jeito para brincadeiras ao ar live, se vestia da mais forte e intrépida das crianças, e ia atrás das jabuticabeiras espalhadas pela lateral da casa.

Para os olhos de adulto, talvez não houvesse nada de especial em subir em um muro baixinho e largo, perfeito, para a alcançar aquelas bolinhas pretas tão desejadas.

Lembro da força quase nula para arrancar aquela frutinha gorda, negra e redonda e de seu gosto doce estourando na boca...

Algumas lembranças teem a capacidade de nos fazer sorrir tranquila por terem existido... mesmo com a certeza que não voltam e isto também vira doce.

Pés de jabuticaba... Minha saudade está virando pé de jabuticaba.

Sobre novos amores

"Uma hora a gente acaba. "

Essa frase começava o rascunho deste post, em 2012. ... Uma hora a gente acaba ...
Ficou nisso. Petrificado no tempo. Sem acabar.
E agora me deparo com os meus guardados e não sei mais o que será que eu queria, ou se somente eu queria que acabasse. Tem tempo. Acabou.
Acabou aquela melancolia louca que se faz sombra, a incontrolável vigilia de não poder ser feliz. De não se achar no direito. Tudo isso acaba.
É a vida  flui, a principio lenta e preguiçosa, em soluços escondidos, sorrisos tímidos... aí vai chegando a correnteza, sensata, que toma ocupa o peito, traz a gargalhada e o sol.
A vida volta a ser mais forte do que o medo da morte, do que o medo de amar.
Não tem nada a ver com esquecer ou superar. 





terça-feira, 26 de março de 2013

Acidez

- Muito prazer, Érika. Sim, fiquei viúva aos 37. Não, isto não me define, sou outras coisas também que talvez sejam interessantes de se saber...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Gaiatice Mineira

Dou-lhe uma bronca pela birra e completo:

- Olha bem a minha cara brava!

E ele, no ato, com cabecinha de lado e sorriso matreiro:

- Fica bava não! Você é muito bunitinha pá isso...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

...

... A vida não é feita de reticências, como a minha escrita.

Ela escolhe exclamações berrantes, vírgulas intermináveis, aspas explícitas e implícitas, interrogações sem respostas, asteríscos ilegíveis.

E muitos e muitos pontos finais.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Racionalidades

Algumas vezes quis sim, berrar tão alto quanto meus pulmões pudessem aguentar ou quebrar todos os espelhos que refletissem o que eu queria esquecer.

Fazer aquelas cenas que vemos nas novelas de televisão.

Quis correr tão longe até onde não pudesse voltar, ou fazer escolhas malucas só para me revoltar.

Mas eu só quis... Porque, no fundo, sabia quem ia ter que arrumar a confusão...

sábado, 19 de novembro de 2011

Compartilhando

Com as vertigens já esquecidas, combinei um intervalo de silêncio com a vida. Um intervalo na rotina que reprisa minhas ausências e cansaços. Um intervalo na saudade que não muda, no meu tocar que escuta sempre os mesmos arrepios. Um poema ao pé do ouvido. Uma pausa sem dor, com cor; uma grafia tatuada no dorso da alma, pouco corrida, sem pressa de ser lida e encontrada. Combinamos uma coisa bonita, qualquer coisa boa e tamanha.

Com as vertigens já esquecidas, quero hidratar aquilo que me habita, me intensifica e me resguarda. Antes do choro, quero uns versos, uns avessos, uns gestos guardando coisas sensíveis. Sofro de progressos, já não cabe tanta demora dentro do meu verbo. (Por Priscila Rôde).

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Registro em branco e preto

Hoje lembrei de uma coisa que queria te contar, filho, mas por garantia achei melhor escrever e não sei ao certo se você vai entender o que eu digo.

Lembrei que seu pai tinha o costume de beijar no rosto os irmãos, o pai dele e alguns amigos mais próximos... era de forma tão natural, tão espontânea, que me comovia, sempre e profundamente, me encantava e me orgulhava.

Neste gesto ele expurgava preconceitos adultos, meu filho, que construimos pela vida e voltava a ser menino, como sempre teríamos que ser.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Trabalhos Escolares

Uma folha de papel vermelha dobrada em forma de camisa com a foto dos dois ao centro. Em cima, os dizeres: Papai, estarei sempre contigo!

Esta imagem provavelmente vai me marcar por muito tempo, pois mesmo já sabendo dos trabalhos da escolinha, desmoronei de tal forma que foi difícil me conter ao longo do dia.

Todas as escolas fazem suas atividades para o Dia dos Pais, e como não tenho como parar o mundo ou colocar meu filhote em uma bolha mágica e super protetora, o melhor a fazer é aprender a conviver com estas – e outras - situações o quantos antes e com a maior naturalidade possível.

Hoje, a maioria das escolas declara trabalhar o "Dia da Família", em substituição ao Dia das Mães e o dos Pais, entendendo que as famílias têm composições diferentes, entretanto, a prática não se mostra bem assim. Durante a minha peregrinação na escolha da escola, esta era uma das questões que sempre levantava, e pude perceber que em muitas ou a resposta era evasiva do tipo “na época preocupamos com isso” – ou a escola praticava o que chamei de o “Dia da Família das Mães” e o “Dia da Família dos Pais”, pois na verdade não se diferenciava muito do que me lembro da minha época de criança.

Evidentemente, não tenho a intenção de ignorar a data e seus pequenos festejos, entendo que se o pai do pequeno estivesse vivo eu ia ser a primeira a querer tudo e mais um pouco... mas acho justo não querer submetê-lo aos ensaios repetitivos para uma apresentação em que o pai dele não estará presente.

O trabalho desenvolvido na escola do meu filho foi bem conduzido, com o apoio psicológico devido (acho que mais para a mãe e não para o filho que não precisava...).

O assunto foi tratado como é feito em nossa casa, onde procuro preservar a referência de pai, sem transformá-lo em um herói inatingível, mas sim em uma pessoa de verdade que agora mora apenas em nossos corações.

E assim, dentro deste contexto, ele trabalhou junto com a sua turminha a foto do pai de verdade – sem substituições por tios ou avó – e teve a oportunidade de participar de uma forma mais coerente da alegria de se ter um pai.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Segundo Seu Matheus...

O padre:
- ... celebremos agora o Evangelho segundo São Mateus.

O pequeno, de forma desesperada:
- Eu não, mãe! Eu não!!!!!

E para arrematar, depois da benção final:
- O tio me "jugo" água... Vai "ficá di catigo"!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Assim?

Eu sou assim. Preciso ser assim, com as feridas expostas, a história contada, o amor vivido, remoído, a dor encarnada e descartada, a busca, o entendimento.

Sou assim. Porque de outo jeito não conseguia me curar, porque de tal maneira transformei tudo em história contada, romântica, de livro e de vida.

E mesmo assim, muitas vezes tenho que me justificar...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Tá de noite?

Chego em casa para almoçar e sou recebida com aquele sorriso largo e boca de quem acabou de almoçar:

- Mamãe chegou?

- Cheguei, filho... Respondo, feliz.

- Já tá de noite?

Coração aperta e penso que ando trabalhando demais....

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Descomplicando

E enfim, quis sair correndo, largar tudo e, irresponsavelmente, voltar para casa, para meu antigo quarto, para uma vida mais simples e descomplicada.

Fiquei sonhando em como ia criar meu filho no interior, perto dos avós e de muitos e muitos parentes, com destino certo nos almoços de domingo e companhia nos momentos de aflição.

Ah, ia ser tão bom se eu tivesse coragem de desistir de mim!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Sinto muito

Olha só: Eu sei que não foi por mal, mas entenda: às vezes (é, eu sei que não são assim tão poucas como faço parecer), quando não te encontro onde procuro, vou resmungar alguma asneira ácida...  Igual quando você não dava notícias no final da tarde - lembra? - e mesmo sabendo que a culpa não era sua, eu reclamava.

Era essa minha urgência em te ver que gritava.

E, sei lá, estas coisas de costume... demoram a passar.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Dar exemplo dá trabalho

Um cachorro pequeno avançou no meu filho, nada sério.

Deixei ele se afastar de mim uns 25 metros na pracinha e ele parou para ver um cachorrinho, que estava com uma senhora de idade, uma mãe e sua filha, e o bicho simplesmente avançou. As mulheres observaram, inertes, a cena. A única reação foi um comentário da mãe da menina falando para a garota (de nove anos!) que ela deveria ter segurado o cão (?). Tá, não entendi.

Na hora só pensava em levar o pequeno para limpeza da ferida e colo de mãe. Dias depois, liguei para a sensível proprietária solicitando a carteira de vacinação do cachorro, já que por orientação médica era importante eu ter certeza que estava tudo em dia. A educada senhora mandou me dizer que o bicho era vacinado e que eu não tinha nada com isso. Tá, não entendi.

Não entendi também a mulher do meu lado que falou para o garoto de dois anos que ele ia virar um monstro, pois a mãe não o educava direito.

Não entendi uma outra mãe, ao ser abordada por uma garotinha de três anos que lhe pedia um biscoito, ter respondido que era de sua filha e que ela que pedisse para alguém comprar para ela.

Não entendi a mãe que falou para a babá não emprestar o brinquedo para o coleguinha porque era novo.

Assim como não entendo a mãe que prende a saída da escola por que está com pressa, sem se preocupar com os que não conseguem passar.

Todas estas cenas aconteceram sob os olhinhos atentos das crias em formação destas mulheres, e, para meu desgosto, da minha também.

Estas mães estão ensinando o quê, afinal? Não estou entendo.

Não adianta sentarem para discutir boas escolas e bons modos se não se preocupam com o exemplo que estão dando, com suas próprias atitudes em relação ao próximo e isto é tão óbvio!

Dar exemplo dá trabalho, então, mãos à obra!

Ainda bem que tenho em minha volta mães maravilhosas, com suas festas malucas de acampamento no quintal de casa, com pedidos de desculpas choramingados pelos pequenos à professora da escola, com exemplos cotidianos de compartilhar, cuidar e respeitar.

Obrigada por doarem seus tempos com qualidade aos seus filhos e cultivarem valores pessoais. Obrigada à minha mãe por não me ensinar a entender atitudes individualistas. Sem vocês, eu perderia a fé na humanidade.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Achados e Perdidos

20/11/06: Querendo sair para almoçar

2:14 eu: Estou aqui, tá?
12:15 Élcio: calma aí
eu: Calmei.
______________________14 minutos

12:29 eu: Tô descalmando... Vai demorar?
12:30 Élcio: tá quase
_______________________10 minutos

12:40 Élcio: tô indo beijo
eu: Beijo totalmente descalmado.
 
                                  E fim...
 
03/10/06: Só para não esquecer
 
18:24 Élcio: oi
eu: Oi...
18:27 Élcio: Tô com saudade
eu: Eu tumem...
                                E fim...
 
 29/09/06: Sobre as fotos no Gtalk
 
16:44 eu: Oi, Mozão.
16:45 Élcio: Oi linda
eu: Gente, o dele tem foto mesmo
eu: rsrsrs.... Que bom que agora posso falar com vc....
Élcio: Só pra vc me ver sua pata ( Em referência a foto da pata no lugar da minha imagem)
eu: Tá bunitu...
                          E fim...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Música boa para rir e chorar

Hoje faríamos 6 anos de casados.

A data que era de comemoração, perdeu um tanto de sua alegria, mas não as boas lembranças que ela traz, o frio na barriga, o gosto de mais.

Virou data boa para rir e para chorar. Como a música que me povoa a mente...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Pãe e Mai

Escuto a palavra “pãe” e não resisto a pesquisar: dizem por aí que é o pai que é mãe ao mesmo tempo.

Engraçado isto de não existir o contrário, algo como “mai”, uma mãe que é pai... (será que ainda a chamamos de mãe solteira?)

Romantismos... Por mais bonitinho que me pareça, por mais bem intencionado, não vejo como possível a substituição, cobrir a ausência do outro ou sua própria importância.

Talvez por ter vindo de uma família assim formada, onde cada um desempenha seu papel - mesmo que às vezes estes estivessem meio invertidos - por ter os dois, pai e mãe, sinto o quanto eles são importantes, a quem recorrer em determinado assunto, o que aprender com cada um deles.

Assusta pensar que carrego comigo todos os “Sims”e “Nãos” de uma criação, as decisões dos caminhos, todos os abraços e beijos, desejos de boa sorte e amor parental, não só pela responsabilidade disto tudo, mas por achar que em dois a gente pode dar mais e a gente quer sempre mais para nossos filhos...

Por outro lado, pode ser que meu pequeno não entenda assim, justamente por não sentir falta do que ele não traz na lembrança e, ao crescer em uma realidade diferente da minha, ele tenha em mim sua “pãe” ou “mai”, com tudo que lhe seja necessário e isto baste.

O melhor, então, é ser somente mãe, como muitas outras.

Que joga bola no meio da sala, que talvez aprenda a soltar pipa ou andar de skate e saiba um pouco sobre futebol e desejos de meninos, como muitas outras mães...

Por que o que interessa mesmo é ser uma boa mãe, e se conseguir isto, ele ficará bem.