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sexta-feira, 25 de março de 2011

Tinta Seca

E simplesmente a escrita seca, como se não houvesse nada mais a dizer.

Como um reflexo do que vai por dentro. Não sangra, não grita mais. Seca. Cria casca, cicatriza. Se fecha.

Fica tudo estático, parado, sem brisa nem ventania. A vida seguindo com você ali, ainda no comando, só que no piloto automático.

Executando as tarefas, seguindo, resolvendo.

A felicidade consistindo em amar quem ainda há para amar... o que nunca é pouco, mas também não pode ser tudo, quando olhado de uma forma racional, o que nunca acontece.

Mas o resto, seco. Como a escrita, a tinta e a palavra.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

5 meses

A música do carro não toca alta o suficiente naquela curva a caminho de casa.

Queria que o som evitasse o mesmo pensamento de presságio e agonia que me assalta todos os dias, nestes cinco meses que nos separam.

terça-feira, 16 de março de 2010

A culpa

Eu busco respostas... Para tudo, sempre busquei. Estoicamente. Não sou uma pessoa que se contenta com um "porque sim" ou "são coisas da vida". Não eu.

O problema é quando, na verdade, não existe uma resposta que caiba no tamanho das perguntas que me faço, nos porquês que levanto.

Mas mesmo assim, eu busco.

Conversei com médicos, fui à igreja, troquei de crença, questionei os desígnios, tentei terapia, e por fim e desde o começo, me culpei - muito, irracional e profundamente.

Achei a resposta em mim, por não ter vistos os sinais, logo eu que tenho um histórico familiar de muitos cardíacos, que leio e me informo... Por não ter insitido nos check ups anuais, por não ter corrido para o hospital quando ele falou do calor que sentia naquela manhã.

Culpei-me e não consigo não pensar nisso.

Mas racionalizo, me fundamento, não tenho poderes sobre a vida e a morte. Não tenho o amanhã, muito menos o hoje.

E assim tenho caminhado, tentando me desculpar racionalmente.

Por isso comecei a escrever, buscando as respostas que estão em mim, neste ato de perscrutar minh'alma, para me perdoar, para minar a dor e a saudade, para transformar este amor que, se antes completo, agora, inalcançável.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A Volta

Voltei ao trabalho fazia 15 dias de sua partida. Aqueles dias em casa me pareceram anos, a vida suspensa, esperando a porta abrir, ele ligar, eu acordar, algo mudar.

Me sentia sufocada, achando que uma parte de mim ia enlouquecer ao mesmo tempo que procurava manter uma certa serenidade, um lapso de dignidade aparente.

Foi instintiva a necessidade de recomeçar depressa, o quanto antes. Misto de urgência, de superar logo e de vontade de acabar com o vazio que toma conta de tudo.

Quis encarar a rotina que voltava, incompleta, mas estava alí, em um aceno de que a vida tinha e ia continuar, com ou sem a minha permissão.

Foi uma primeira reação a esta briga interna que se instalou dentro de mim, entre a vontade de me entregar à esta dor e o medo de me deixar cair a tal ponto que eu não achasse mais o caminho de volta... 
 
Acima de todos estes contrapontos, há sempre esta minha grande razão para lutar, meu bem maior: o meu filho, que dá sentido à todo este amor que ainda arde no meu peito.

É o entendimento que continuar não é significado de não sofrer. É o de não desistir.

Escolhi, então, deixar-me abater depois, quando tiver tempo. Já que estes sentimentos estão dentro de mim, me acompanham em qualquer lugar onde eu estiver e que não vão se perder.

A minha história certamente vai continuar sem ele, mas não tem como continuar sem mim.

Vale a pena, sempre.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Coisinhas que incomodam

Chegando em casa, cansada, pensando em alguma forma de encarar a noite sem chorar e continuar bem, bati meu carro.

Nada sério, mas o suficiente para me desmontar em lágrimas e pensar:

- Tem horas que não dá para filosofar: Tá F....A mesmo!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Dia desses...

Dia desses enchi o peito de coragem, apontei o mural e exclamei:

- Olha, filho, é o papai na foto!

E assim como eu, que o incentiva em suas pequenas conquistas, ele retribuiu, sorrindo, me aplaudiu, orgulhoso...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Sonho

Hoje sonhei com ele.

No sonho, ele já não estava mais aqui, mas aparecia para mim... Só eu podia vê-lo, conversar, brigar, tocar, beijar.

Rotina.

Acho que é meu lado racional tentando achar uma saída para o que não tem retorno.