De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinícius de Moraes
...Muitas vezes, as palavras faltam e lançamos mão das que não são nossas, as de verdadeiros poetas que, com um olhar de almas antigas têm o dom de nos traduzir quando nós mesmos não conseguimos.
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segunda-feira, 21 de junho de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
Carta para você!
Amor,
Tento escrever uma carta para você, como se você ainda estivesse aqui só para fazer algo que não fiz quando havia oportunidade.
Não consegui. A realidade é outra. A chance se foi.
Eu não posso mais te dizer coisas que pensava, eu não posso ouvir suas respostas.
Queria ter te falado mais sobre o amor que sentia, já que nunca é demais falar sobre isso, mas também sobre outros sentimentos, angústias e fraquezas, que achei sendo meus, não deveriam ficar expostos.
Nunca tive coragem de lhe contar do medo que sentia de te perder, escondi-o até de mim.
E é duro ver nossos medos tornarem-se reais.
Acreditei que tudo viria com o tempo e a seu tempo. O que eu não sabia era que este é que era limitado.
Conhecendo-me, assusto ao ver que não parti com você.
Mas que não continuo a mesma.
Olho para esta pessoa estranha que busca forças e as encontra não se sabe onde, que ri e se fecha e não a reconheço. Nem sei se você ia gostar dela. Espero que ela melhore.
Para me resgatar, fixo a mente nas muitas lembranças.
Elas me acompanham, boas, doces, amargas e felizes, desta época em que pude compartilhar com você uma vida inteira dentro de um curto espaço de tempo.
Não são muitas as pessoas que juntam as palavras casamento e felicidade em uma só frase. Alguns nem as têm.
Eu as tive e isso é muito.
E.
PS.: Ao nosso quinto ano, com o mesmo amor do primeiro!
Tento escrever uma carta para você, como se você ainda estivesse aqui só para fazer algo que não fiz quando havia oportunidade.
Não consegui. A realidade é outra. A chance se foi.
Eu não posso mais te dizer coisas que pensava, eu não posso ouvir suas respostas.
Queria ter te falado mais sobre o amor que sentia, já que nunca é demais falar sobre isso, mas também sobre outros sentimentos, angústias e fraquezas, que achei sendo meus, não deveriam ficar expostos.
Nunca tive coragem de lhe contar do medo que sentia de te perder, escondi-o até de mim.
E é duro ver nossos medos tornarem-se reais.
Acreditei que tudo viria com o tempo e a seu tempo. O que eu não sabia era que este é que era limitado.
Conhecendo-me, assusto ao ver que não parti com você.
Mas que não continuo a mesma.
Olho para esta pessoa estranha que busca forças e as encontra não se sabe onde, que ri e se fecha e não a reconheço. Nem sei se você ia gostar dela. Espero que ela melhore.
Para me resgatar, fixo a mente nas muitas lembranças.
Elas me acompanham, boas, doces, amargas e felizes, desta época em que pude compartilhar com você uma vida inteira dentro de um curto espaço de tempo.
Não são muitas as pessoas que juntam as palavras casamento e felicidade em uma só frase. Alguns nem as têm.
Eu as tive e isso é muito.
E.
PS.: Ao nosso quinto ano, com o mesmo amor do primeiro!
sexta-feira, 26 de março de 2010
Sobre ele
Calça jeans. Blusa social clara, mangas compridas dobradas perfeitamente até à altura dos cotovelos. Sapato social.
Andar macio, de quem pisa com o pé todo, consciente de cada passada. Sem pressa.
Coluna ereta. Ombros largos. Peito aberto de quem fica com o coração exposto.
Cavanhaque. Olhos castanhos claros, que ele jurava que podiam ficar esverdeados e eu ria desta possibilidade. Óculos escuros.
Cabelos curtos com entradas e uma pequena mecha de fios brancos que vi surgir, que ele dizia ter meu nome, que eu não pude ver se espalhar por sua cabeça.
Cheirava a perfume bom. Ou a nada.
Falava baixo ao telefone, gritava em dia de jogo.
Risada forte, de sacudir o seu corpanzil, largo e alto.
Era emotivo. Chorava comigo e por mim. Sabia pedir desculpas e tentou me ensinar o mesmo.
Amável. Brincalhão. Divertia-se com tudo, se esbaldava no sorriso do filho. Dizia que se perdia no meu.
Pai, com toda a força da palavra. Brincava se arrastando pelo chão, de cavalinho, ou qualquer coisa que o pequeno quisesse.
Inteligente, matemático. Sincero.
Amigo. De seus amigos, dos meus, dos que ele ainda não tinha feito. Não tinha conhecidos. Tinha amigos. Era meu amigo também.
Mas de seu melhor amigo ele era irmão.
Cozinhava bem. E convidava. Gostava de casa cheia, sem se importar se no outro dia tinha que trabalhar.
Me amava. Me escolhia todo dia para sempre, mesmo depois de uma grande briga.
Era feliz e ponto.
Tinha defeitos, muitos. Mas hoje só quero lembrar as coisas que tenho medo de esquecer.
Andar macio, de quem pisa com o pé todo, consciente de cada passada. Sem pressa.
Coluna ereta. Ombros largos. Peito aberto de quem fica com o coração exposto.
Cavanhaque. Olhos castanhos claros, que ele jurava que podiam ficar esverdeados e eu ria desta possibilidade. Óculos escuros.
Cabelos curtos com entradas e uma pequena mecha de fios brancos que vi surgir, que ele dizia ter meu nome, que eu não pude ver se espalhar por sua cabeça.
Cheirava a perfume bom. Ou a nada.
Falava baixo ao telefone, gritava em dia de jogo.
Risada forte, de sacudir o seu corpanzil, largo e alto.
Era emotivo. Chorava comigo e por mim. Sabia pedir desculpas e tentou me ensinar o mesmo.
Amável. Brincalhão. Divertia-se com tudo, se esbaldava no sorriso do filho. Dizia que se perdia no meu.
Pai, com toda a força da palavra. Brincava se arrastando pelo chão, de cavalinho, ou qualquer coisa que o pequeno quisesse.
Inteligente, matemático. Sincero.
Amigo. De seus amigos, dos meus, dos que ele ainda não tinha feito. Não tinha conhecidos. Tinha amigos. Era meu amigo também.
Mas de seu melhor amigo ele era irmão.
Cozinhava bem. E convidava. Gostava de casa cheia, sem se importar se no outro dia tinha que trabalhar.
Me amava. Me escolhia todo dia para sempre, mesmo depois de uma grande briga.
Era feliz e ponto.
Tinha defeitos, muitos. Mas hoje só quero lembrar as coisas que tenho medo de esquecer.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
O Choro
No começo era o choro desmedido, pranto profundo, que sai de todos os cantos: coração, mente, corpo, alma.
De forma incontrolável, ele toma conta da gente, faz tudo girar, vira grito de dor, perdemos as forças... este choro suga a vida até o sono chegar, deixando o corpo entorpecido, a boca seca, a cabeça vazia.
Foi assim em algumas ocasiões...
- No dia que ele se foi, na hora da constatação de que um vazio sem resposta tomaria conta de mim por muito tempo, de um pedido que não seria atendido, da solidão e da ausência já sentidos.
- Na semana seguinte, na casa de minha infância, onde não pude voltar para o útero de minha mãe e o abraço de meu pai não me protegia mais.
- Na primeira noite de volta a minha vida, naquele quarto onde dividíamos tudo, onde éramos só nós dois, onde fomos um, onde nos transformamos em três.
Mas logo em seguida conheci o pranto "de hora marcada", que chega no carro de volta do trabalho, na hora do banho, no escuro da noite quando acordo de madrugada. Este é mais sereno, com um controle de quem sabe que depois da curva tem que estar melhor, já sorrindo, sem querer que percebam para que não tentem te consolar...
Nesta época você aprende que não há consolo, o que existe é calma com a realidade.
Com os dias correndo, vem o choro da saudade. Não daquela que você imagina no começo, mas real, de tempo que passou... Saudade de abraço, de beijo, de boa noite e de bom apetite.
Agora sobrevivo ao pranto de assalto. Aquele que me pega distraída, de forma sorrateira, quando olho para o lado e vejo o bar de nosso primeiro encontro, quando floresce a orquídea ganha no meu aniversário, em meio ao trânsito, ao filme assistido juntos.
Este é mais cruel. Te desaba a qualquer momento. Ele vem para te lembrar que não, não passou e sim, é verdade.
Hoje choro todos estes prantos e me pergunto quantos mais ainda vou conhecer...
De forma incontrolável, ele toma conta da gente, faz tudo girar, vira grito de dor, perdemos as forças... este choro suga a vida até o sono chegar, deixando o corpo entorpecido, a boca seca, a cabeça vazia.
Foi assim em algumas ocasiões...
- No dia que ele se foi, na hora da constatação de que um vazio sem resposta tomaria conta de mim por muito tempo, de um pedido que não seria atendido, da solidão e da ausência já sentidos.
- Na semana seguinte, na casa de minha infância, onde não pude voltar para o útero de minha mãe e o abraço de meu pai não me protegia mais.
- Na primeira noite de volta a minha vida, naquele quarto onde dividíamos tudo, onde éramos só nós dois, onde fomos um, onde nos transformamos em três.
Mas logo em seguida conheci o pranto "de hora marcada", que chega no carro de volta do trabalho, na hora do banho, no escuro da noite quando acordo de madrugada. Este é mais sereno, com um controle de quem sabe que depois da curva tem que estar melhor, já sorrindo, sem querer que percebam para que não tentem te consolar...
Nesta época você aprende que não há consolo, o que existe é calma com a realidade.
Com os dias correndo, vem o choro da saudade. Não daquela que você imagina no começo, mas real, de tempo que passou... Saudade de abraço, de beijo, de boa noite e de bom apetite.
Agora sobrevivo ao pranto de assalto. Aquele que me pega distraída, de forma sorrateira, quando olho para o lado e vejo o bar de nosso primeiro encontro, quando floresce a orquídea ganha no meu aniversário, em meio ao trânsito, ao filme assistido juntos.
Este é mais cruel. Te desaba a qualquer momento. Ele vem para te lembrar que não, não passou e sim, é verdade.
Hoje choro todos estes prantos e me pergunto quantos mais ainda vou conhecer...
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Meu aliado, o tempo
Quando estava grávida, já com uma barriga enorme, viajei a trabalho para São Luis do Maranhão. Era maio e foram 18 dias em que todas as manhãs, eu passava uma mensagem dizendo "Faltam x dias..." e ele respondia: "Bom dia, meu anjo!"
E as mensagens e telefonemas se seguiam até o "Boa noite", de saudade, carinho e vontade.
Era uma espécie de contador de recorde de "distância" com gosto bom, a cada dia que fiquei por lá... Rimos disso demais, não era desejado outros desse tipo.
Hoje penso nesta história e constato que agora quebramos este "recorde" a cada minuto, momento, segundo, pensamento... Só que agora o gosto é amargo e ríspido.
Hoje já está fazendo dois meses e só tem dois meses...É tão recente e é tanto tempo. Muito tempo para quem sente a falta, pouco para afogar a dor.
Queria voltar, nem que seja naquele dia, só para poder abraçá-lo mais uma vez. Queria avançar no tempo para amenizar esta dor presa no estômago, ardente, incessante, calada.
Levanto como em todos dos dias, escolho o preto para me vestir e então entôo o mantra: "Tudo vai ficar bem, vai ficar bem, vai ficar"... Acredito.
E as mensagens e telefonemas se seguiam até o "Boa noite", de saudade, carinho e vontade.
Era uma espécie de contador de recorde de "distância" com gosto bom, a cada dia que fiquei por lá... Rimos disso demais, não era desejado outros desse tipo.
Hoje penso nesta história e constato que agora quebramos este "recorde" a cada minuto, momento, segundo, pensamento... Só que agora o gosto é amargo e ríspido.
Hoje já está fazendo dois meses e só tem dois meses...É tão recente e é tanto tempo. Muito tempo para quem sente a falta, pouco para afogar a dor.
Queria voltar, nem que seja naquele dia, só para poder abraçá-lo mais uma vez. Queria avançar no tempo para amenizar esta dor presa no estômago, ardente, incessante, calada.
Levanto como em todos dos dias, escolho o preto para me vestir e então entôo o mantra: "Tudo vai ficar bem, vai ficar bem, vai ficar"... Acredito.
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