Muitas vezes me perguntei qual dor é mais pungente, quem tem mais direito a sofrer sem cessar, a ser compreendida sem escutar: A menina que tem o coração partido pelo primeiro amor, a esposa que perde o marido, o pai que perde o filho, o filho que cresce sem pai?
Ou quem tem outras dores escondidas por debaixo da vida tranqüila e normal?
Dei-me conta que não há como mensurar ou comparar a dor. Ela é sentida na proporção das histórias de cada um, são expressas de formas irregulares e refletem – ou por vezes escondem - as dores que vão ao peito.
Não chorar pode ser muito sofrer.
Não mais falar sobre o que já passou pode ser muito sofrer.
Engajar-se no cotidiano pode ser muito sofrer.
E de tal forma, e tanto, que não há como julgar nem muito menos saber.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
A gênese
Há de se entender que, perder alguém assim, é perder muitas coisas ao mesmo tempo. É perder o motorista, o contador, o amigo, o namorado... É perder o ombro e o chão, é perder as pernas e o caminho... é perder-se por inteiro...
Recomeçar, como?
Pela gênese, pelo renascer, é aprender e viver.
Recomeçar, como?
Pela gênese, pelo renascer, é aprender e viver.
domingo, 14 de novembro de 2010
A Morte não é Nada, por Santo Agostinho
"A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.
Me dêem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.
A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?
Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi."
Por Giovanna Leal
Hoje faço do silêncio uma outra forma de amar.
Me confundo com o que devo deixar para trás e o que, por direito, posso manter no peito, sem me machucar.
O que ele foi, vai continuar sendo... O que um dia eu fui, nunca mais será...
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.
Me dêem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.
A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?
Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi."
Por Giovanna Leal
Hoje faço do silêncio uma outra forma de amar.
Me confundo com o que devo deixar para trás e o que, por direito, posso manter no peito, sem me machucar.
O que ele foi, vai continuar sendo... O que um dia eu fui, nunca mais será...
sábado, 30 de outubro de 2010
As caixas
Tirei a aliança do dedo e coloquei-a de volta naquela caixinha de veludo preto, onde tempos atrás, ela reluzia nova e cheia de promessas.
Agora, de volta à mesma caixinha, o brilho já se faz diferente pelos arranhões das marcas de uso e pelos sonhos interrompidos.
No mesmo instante, veio a minha cabeça a imagem de meu cunhado, naquela tarde de novembro, abrindo as mãos postas em oração para me entregar a aliança de seu irmão como quem entrega seu próprio coração.
Olhei novamente aquela visão – as duas alianças lado a lado – ali, naquela caixinha de veludo preto, e, com uma certa pressa de quem não quer se arrepender, guardei aquele pequeno cofre na Caixa das Lembranças do Papai, onde estão as entradas para um jogo, cartões de aniversário com a letra dele escrita, algumas fotos, relógios, os aviõezinhos de chumbo, alguns outros carinhos e até um punhado de cheiros para o pequeno descobrir com o tempo.
Escolhi a prateleira mais alta e empurrei a Caixa das Lembranças para o fundo do armário e fechei a porta.
Talvez façamos assim com alguns de nossos sentimentos: a gente coloca em uma caixa, dentro de outra, na prateleira de cima, no alto do armário, atrás de uma porta fechada, lá no fundo da alma... Onde ninguém mais pode alcançar.
Agora, de volta à mesma caixinha, o brilho já se faz diferente pelos arranhões das marcas de uso e pelos sonhos interrompidos.
No mesmo instante, veio a minha cabeça a imagem de meu cunhado, naquela tarde de novembro, abrindo as mãos postas em oração para me entregar a aliança de seu irmão como quem entrega seu próprio coração.
Olhei novamente aquela visão – as duas alianças lado a lado – ali, naquela caixinha de veludo preto, e, com uma certa pressa de quem não quer se arrepender, guardei aquele pequeno cofre na Caixa das Lembranças do Papai, onde estão as entradas para um jogo, cartões de aniversário com a letra dele escrita, algumas fotos, relógios, os aviõezinhos de chumbo, alguns outros carinhos e até um punhado de cheiros para o pequeno descobrir com o tempo.
Escolhi a prateleira mais alta e empurrei a Caixa das Lembranças para o fundo do armário e fechei a porta.
Talvez façamos assim com alguns de nossos sentimentos: a gente coloca em uma caixa, dentro de outra, na prateleira de cima, no alto do armário, atrás de uma porta fechada, lá no fundo da alma... Onde ninguém mais pode alcançar.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Também choro!
Vejo-o me olhando de soslaio enquanto me apronto para o trabalho.
Assim que termino de calçar os sapatos, ele se aproxima, pousa a cabeça nos meus joelhos:
- Mamãe, “num” vai... Eu “choiu”...
...Ah, nada como se sentir amada!
Assim que termino de calçar os sapatos, ele se aproxima, pousa a cabeça nos meus joelhos:
- Mamãe, “num” vai... Eu “choiu”...
...Ah, nada como se sentir amada!
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Noites e Dias
Estranho é não reparar mais nas colchas desfeitas em apenas um lado da cama... Como uma linha invisível, separa o que foi do que é, sem, contudo, impedir que estes se deitem juntos todas as noites.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Ao P.A., com P.S.
Jogou a bola, mas foi sua alma que se arremeteu aos céus. Deve ter entendido naquele instante o que havia acontecido, pois apesar do que aparentava, sua existência só podia ser antiga como as questões que carregava.
Deve ter sorrido com os olhos por que não era de se lamentar e mantido aquele expressão emblemática nos lábios de quem tem sempre uma posição a tomar.
Por dentro deve ter pedido desculpas por fazer chorar aos que o amavam... Ele sempre se importava com os outros.
A gente não se via há muitos anos.
Formados, fomos ganhar a vida conforme manda o protocolo. E a amizade ficou no tempo, esperando um telefonema, um café ou uma vodka acompanhada de conversas mal desenhadas, perguntas inquietas, soluções não definidas, situações inusitadas.
Não conheci sua esposa, ele não conheceu o meu marido... Perdemos parte de muitas histórias, mas não a certeza de se ter aquele amigo de verdade.
Ah, Paulo! Não te contei como conheci um primo seu junto com uma dinamarquesa em plena Praça de Maio, na Argentina.
Se encontrar Élcio por aí, neste lugar que meu coração gosta de sonhar que é onde vocês estão, se apresenta, vocês se darão bem, e ele te conta como foi...
...Ou eu mesma conto, quando for a hora.
P.S: Não faça Tom e Vinícius ficarem até altas horas a declamar poemas... Eles já têm certa idade, meu amigo, e você, é tão jovem!
Deve ter sorrido com os olhos por que não era de se lamentar e mantido aquele expressão emblemática nos lábios de quem tem sempre uma posição a tomar.
Por dentro deve ter pedido desculpas por fazer chorar aos que o amavam... Ele sempre se importava com os outros.
A gente não se via há muitos anos.
Formados, fomos ganhar a vida conforme manda o protocolo. E a amizade ficou no tempo, esperando um telefonema, um café ou uma vodka acompanhada de conversas mal desenhadas, perguntas inquietas, soluções não definidas, situações inusitadas.
Não conheci sua esposa, ele não conheceu o meu marido... Perdemos parte de muitas histórias, mas não a certeza de se ter aquele amigo de verdade.
Ah, Paulo! Não te contei como conheci um primo seu junto com uma dinamarquesa em plena Praça de Maio, na Argentina.
Se encontrar Élcio por aí, neste lugar que meu coração gosta de sonhar que é onde vocês estão, se apresenta, vocês se darão bem, e ele te conta como foi...
...Ou eu mesma conto, quando for a hora.
P.S: Não faça Tom e Vinícius ficarem até altas horas a declamar poemas... Eles já têm certa idade, meu amigo, e você, é tão jovem!
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